Governo do Amazonas inaugura ponte Rio Negro, um marco para a integração da Região Metropolitana de Manaus
O governador Omar Aziz e a
presidenta Dilma Rousseff inauguram às 10h de segunda-feira, dia 24 de
outubro, data do aniversário de Manaus a Ponte Rio Negro. Com 3.595
metros de comprimento, a primeira ponte de grandes dimensões construída
sobre um rio em solo amazônico é também a maior ponte estaiada (com 400
metros de trecho suspensos por cabos) do Brasil em águas fluviais e a
segunda no mundo, atrás apenas da ponte sobre o rio Orinoco, na
Venezuela. Por isso, ao lado do Teatro Amazonas, vem sendo considerada o
maior e mais importante monumento arquitetônico do Estado, além de
representar um marco na integração da Região Metropolitana de Manaus
(RMM), criada em 2007 com oito municípios amazonenses e cerca de 2
milhões de habitantes.
O empreendimento, que liga Manaus ao
município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital), representa muito
mais que uma solução logística para o escoamento da produção e o
transporte de pessoas. A ponte abre uma leque de novas oportunidades e
de desenvolvimento socioeconômico para o interior. Com a ponte Rio
Negro, o Governo do Amazonas vai fomentar a economia e ampliar a oferta
de equipamentos públicos principalmente nos municípios da RMM
diretamente influenciados pelo empreendimento: Manaus, Iranduba,
Manacapuru e Novo Airão.
A obra teve custo total de R$ 1,099
bilhão. O montante inclui, além dos 3.595 metros da ponte, obras
complementares – construção de 7,4 quilômetros de acessos viários do
lado de Manaus (1,9 quilômetros) e Iranduba (5,5 quilômetros),
implantação do sistema de proteção dos pilares contra choque de
embarcações, sistema de sinalização náutica e o sistema de iluminação da
ponte – cênica e convencional – e dos acessos.
Do total de recursos aplicados, R$ 586
milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e R$ 513 milhões do Governo do Amazonas. Dos
recursos diretos dos cofres estaduais, R$ 331 milhões (65%) foram pagos
na gestão do atual governador, Omar Aziz. O restante, R$ 182 milhões,
foram saudados na gestão do ex-governador Eduardo Braga, idealizador do
projeto. A obra principal foi executada pela construtora Camargo Correa.
“Com planejamento e organização,
consegui cumprir o compromisso assumido de entregar a ponte, sem
comprometer as finanças do Estado, mas o mérito maior dessa obra
magnífica é de todo o povo do Amazonas, que pagou por ela. É preciso
reconhecer a ousadia do ex-governador Eduardo Braga e do presidente
Lula, que acreditaram no sonho de atravessar o rio Negro com uma ponte
dessa magnitude”, destaca Omar Aziz.
Para o governador, o benefício maior da
ponte não está só na sua obra arquitetônica. “O maior ganho será o
desenvolvimento que vai proporcionar à região”, observa, ao destacar que
o empreendimento, além de facilitar o escoamento da produção, também
vai permitir avançar em projetos de infraestrutura do Governo Estadual,
como a implantação da Cidade Universitária da Universidade do Estado do
Amazonas (UEA), em Iranduba, que também ganhará uma Central de
Abastecimento, orçada em R$ 5,5 milhões, para atender feirantes,
comerciantes e produtores rurais deste município, além de Manacapuru,
Novo Airão, Careiro e adjacências.
Em Manacapuru (a 68 quilômetros de
Manaus), com a revitalização do porto da cidade, a meta do Governo
Estadual é tornar o município um entreposto de cargas, reunindo produtos
de outras cidades amazonenses com destino ao mercado de Manaus. Para
fomentar este corredor, o Estado também já conta com um projeto para
duplicação da rodovia Manoel Urbano (AM-070), para o qual aguarda
liberação de financiamento do BNDES, da ordem de R$ 162 milhões. A
estrada liga Iranduba a Manacapuru.
Desenvolvimento – De
acordo com projeções da SRMM, municípios da Região Metropolitana de
Manaus e das regiões do Purus e Médio Solimões ligados a estas por via
fluvial, compartilharão os reflexos da nova dinâmica econômica que se
espera com a ponte Rio Negro. As previsões se baseiam na constatação de
que ao longo desses municípios há uma série de atividades econômicas,
como extrativismo, piscicultura, produção de hortaliças, atividade
agropecuária, polo de cerâmica e turismo, que terão impulso com o novo
equipamento logístico.
A ponte resolve uma das questões
cruciais para o desenvolvimento econômico da margem direita do Rio Negro
– a logística. O polo cerâmico de Iraduba, por exemplo, que concentra
60% da atividade no Estado, ganhará vantagem no quesito produtividade.
“O frete é um item caro e, no caso de Iranduba, torna-se ainda mais
oneroso ao ser transportado de balsa, perdendo tempo e produtividade”,
explica o secretário da RMM, René Levy. A região beneficiada com a
ponte tem ainda potencial para a construção naval, extrativismo (de juta
e malva) e avicultura.
Autor do estudo que embasou o pedido de
financiamento da ponte feito pelo Governo do Amazonas ao BNDES, o
professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Mauro Thury,
acredita que do outro lado da ponte possa se desenvolver um processo de
industrialização de bens intermediários, complementar ao já existente no
Polo Industrial de Manaus (PIM). Segundo ele, mesmo sem a expansão dos
incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM), promessa da
presidenta Dilma Rousseff, a própria Lei Estadual de Incentivos Fiscais
2826/2003 já concede alguns benefícios para o interior em relação à
capital, o que pode ser um fator facilitador, assim como a oferta de gás
natural nos municípios por onde passa o gasoduto Coari-Manaus.
De acordo com o secretário da RMM, Renê
Levi, a RMM possui um plano diretor (Plano Metropolitano), global e
setorizado, abrangendo habitação, saneamento básico, transportes,
sistema viário, institucional, industrial e comercial, fruto de uma
ampla discussão com a sociedade dos municípios. No caso de Iranduba,
foi discutido o Plano Urbanístico da Margem Direita, que define o uso e
ocupação do solo, para ser aprovado na câmara e virar Lei, uma vez que o
assunto é de competência municipal.
Internet banda larga
– Além de encurtar as distâncias, a Ponte Rio Negro vai levar internet
banda larga mais veloz para o outro lado do rio Negro. O Governo do
Amazonas, por meio da empresa Processamento de Dados Amazonas S/A
(Prodam), realiza operação para instalar cerca de 5,5 quilômetros de
cabos de fibra ótica, da sede do Governo, na avenida Brasil, Compensa,
zona oeste até a cabeceira da ponte no lado de Iranduba.
Operacionalização
– Toda a operacionalização da Ponte Rio Negro, incluindo a segurança e
serviços de manutenção ficam sob a responsabilidade do Governo do
Amazonas, concentrados no Centro de Controle de Operações, coordenado
pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A base do sistema,
localizada ao lado da ponte, em Manaus, reúne órgãos estaduais como
Defesa Civil, Polícia Militar, Agência Reguladora dos Serviços Públicos
Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam), Secretaria de Fazenda (Sefaz),
Prodam e outros. O Centro de Oprações, que começa a funcionar a partir
da inauguração da ponte, terá sistemas de câmera e de monitoramento do
tempo, além de todo um aparato de equipamentos e pessoal capacitado para
garantir a trafegabilidade, controle e a segurança dos que utilizarão a
ponte e seu entorno.
Obra gerou 3,4 mil empregos diretos e usou quantidade de aço e concreto suficientes para construir três Maracanãs
A construção da Ponte Rio Negro empregou
diretamente mais de 3,4 mil profissionais em diversas áreas de atuação.
Cerca de 180 empresas fornecedoras foram contratadas, gerando outras
milhares de vagas de empregos indiretos. O empreendimento consumiu 20
mil toneladas de aço e mais de um milhão e meio de sacas de cimento,
além de 47 mil metros cúbicos de base solo-areia-seixo e 72 mil
toneladas de revestimento betuminoso.
Com a quantidade de aço e cimento
usados, é possível erguer três estádios do Maracanã. Para atender a alta
demanda, foram implantadas duas centrais de produção de concreto, com
produção total de 120 metros cúbicos por hora. Por conta da água ácida
do Rio Negro, foi adicionada pozolana (material silicioso) ao concreto
empregado nas estacas e no tabuleiro. A substância ajuda a preservar de
corrosão.
Com 185 metros de altura, o mastro
central da Ponte Rio Negro possibilita navegação com gabarito de 55
metros durante a época de cheias e até 70 metros na seca. A ponte tem
largura total de 20,70 metros no trecho convencional e 22,60 metros na
parte estaiada. A via terá quatro faixas de tráfego, duas em cada
sentido, além da faixa de passeio para pedestres nos dois lados. O
mastro central apoia dois vãos de 200 metros para cada lado. A
estrutura, em forma de diamante, é dividida em três partes: um cone de
ponta-cabeça abaixo do tabuleiro, um cone acima do tabuleiro e o topo do
mastro. O formato aerodinâmico foi adotado para diminuir o atrito com o
vento.
Números da Ponte Rio Negro
Investimentos: R$ 1,099 bilhão (R$ 586 milhões do BNDES e R$ 513 milhões do Governo do Amazonas)
Tempo da obra: 03 anos e dez meses
Empregos diretos na obra: 3.400 trabalhadores
Comprimento total: 3.595 m
Número de vãos: 73
Altura do mastro central: 103 m acima do tabuleiro
Extensão do trecho estaiado: 400 m
Largura da seção estaiada: 22,60 m
Largura do trecho corrente: 20,70 m
Pistas: duas pistas duplas
Faixas por pista: duas faixas sentido Manaus e duas sentido Iranduba
Passeio de pedestres: 1,5 m de cada lado
Concreto estrutural: 138.000 m³
Cimento: 1 milhão de sacas
Vigas pré-moldadas: 213 peças
Pilares/apoios: 74 unidades
Base de solo, areia, seixo: 47.000 m³
Revestimento betuminoso: 72.000 t
Número de vãos: 73
Altura do mastro central: 103 m acima do tabuleiro
Extensão do trecho estaiado: 400 m
Largura da seção estaiada: 22,60 m
Largura do trecho corrente: 20,70 m
Pistas: duas pistas duplas
Faixas por pista: duas faixas sentido Manaus e duas sentido Iranduba
Passeio de pedestres: 1,5 m de cada lado
Concreto estrutural: 138.000 m³
Cimento: 1 milhão de sacas
Vigas pré-moldadas: 213 peças
Pilares/apoios: 74 unidades
Base de solo, areia, seixo: 47.000 m³
Revestimento betuminoso: 72.000 t






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