Três novos poraquês estão em exposição no Musa
Os
aquários do Musa ganharam nova vida com a chegada de três poraquês. Os
peixes já se adaptaram ao ambiente e podem ser vistos pelo público de
terça a domingo de 8h às 16h30 no Jardim Botânico de Manaus.
Poraquês (Eletrophorus eletricus) são
famosos por usarem descargas elétricas para se alimentar, se comunicar e
para perceber o ambiente. Mas você sabia que eles não são capazes de
respirar debaixo d`água? Para se manter vivos, os poraquês usam uma
estratégia curiosa: sobem à superfície e engolem uma bolha de ar. A
troca do oxigênio com o corpo é feita então através dos muitos vasos
sanguíneos em sua boca.
Outro
fato interessante é que é impossível diferenciar machos e fêmeas de
poraquê apenas pela aparência. "Em algumas espécies de peixes elétricos,
o macho emite um sinal elétrico diferente durante o período reprodutivo
e usa isso para cortejar a fêmea. É possível que os poraquês façam o
mesmo, mas não há nada comprovado", explica Renata Schmitt, técnica do
Musa no Jardim Botânico.
Renata
estudou os peixes elétricos durante seu mestrado no Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Hoje, além de coordenar atividades de
educação do museu, ela é a responsável técnica pelos aquários. Segundo
Renata, os peixes elétricos são bastante estudados em seu aspecto
eletrofisiológico, mas pouco se sabe sobre suas características
biológicas e ecológicas.
"Por
exemplo, existem relatos de ribeirinhos que afirmam que os poraquês
constroem ninhos de bolhas de ar na superfície da água para os filhotes
poderem respirar. É algo que faz sentido porque os poraquês não respiram
dentro d`água, mas esse comportamento nunca foi observado por
cientistas."

Poraquê subindo à superfície para respirar.
Foto: Rubenaldo Ferreira
Uma ou duas espécies?
Os
poraquês nos aquários do Musa variam de tamanho - o maior deles tem
mais de 1,5 metros de comprimento – e de cor, dois deles são pretos e o
outro marrom. A variação de tamanho ajuda a estimar a idade dos animais
em algo em torno de cinco anos. A diferença de cor também é mais que
mera curiosidade.
"Existe
apenas uma espécie de poraquê descrita pela ciência, mas os ribeirinhos
dizem que há duas, uma preta e capaz de dar um choque mais potente, e
outra de coloração marrom avermelhada, que é maior, mas que tem um
choque não tão forte", conta a bióloga.
A
observação do comportamento deles nos aquários poderá ajudar a entender
mais sobre a espécie. A visita aos aquários pode ser feita entre 8h e
16h30, de terça a domingo. A entrada é gratuita.
Poraquê
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
| Poraquê | ||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Classificação científica | ||||||||||||||
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| Electrophorus electricus |
O poraquê (Electrophorus electricus) é uma espécie de peixe actinopterígio, gimnotiforme, que pode chegar a três metros de comprimento e pesar cerca de trinta quilogramas. É uma das conhecidas espécies de peixe-elétrico, com capacidade de geração elétrica que varia de cerca de trezentos volts a cerca de 0,5 ampères até cerca de 1 500 volts a cerca de três ampères.
O termo "poraquê" vem da língua tupi e significa "o que faz dormir" ou "o que entorpece"[1], em referência às descargas elétricas que produz. Além deste nome, também é chamado de enguia, enguia-elétrica, muçum-de-orelha, pixundé, pixundu ou peixe-elétrico (embora não seja o único peixe-elétrico existente).
É típico da Bacia amazônica (rios Amazonas e Orinoco), bem como dos rios do estado brasileiro do Mato Grosso. Também encontra-se em quase toda a América do Sul.
Características
O poraquê ficou conhecido mundialmente por sua capacidade de produzir descargas elétricas elevadas (até cerca de 1 500 volts, até cerca de três ampères, não simultaneamente nesses valores), suficientes para matar até um cavalo, despertando a curiosidade de muitos pesquisadores. Essas descargas são produzidas por células musculares especiais, modificadas – os eletrócitos, sendo o conjunto deles denominado de mioeletroplacas. Cada célula nervosa típica gera um potencial elétrico de cerca de 0,14 volt. Essas células estão concentradas na cauda, que ocupa quatro quintos do comprimento total do peixe.
Um exemplar adulto possui de 2 000 a mais de 10 000 mioeletroplacas, conforme o seu tamanho. Dispõem-se em série, como pilhas de uma lanterna e ativam-se simultaneamente quando o animal encontra-se em excitação, como na hora da captura de uma presa ou para defender-se, fazendo com que seus três órgãos elétricos – o de Sach, o de Hunter e o órgão principal – descarreguem.
A maior parte desta energia expressiva é canalizada para o ambiente, não afetando o indivíduo, o qual possui adaptações especiais em seu corpo, ficando, assim, como que isolado de sua própria descarga.
Apresenta coloração negra tendente ao chocolate-escuro, salpicada de pequenas manchas amarelas, vermelhas ou branco-sujo, corpo alongado, cilíndrico, e provido apenas de nadadeira anal, que percorre grande extensão do abdome. Há exemplares em que a parte abdominal anterior à nadadeira é vermelha e seus músculos caudais geram descargas elétricas como arma de defesa e também para aturdir os peixes dos quais se alimenta. Necessita vir periodicamente à superfície (a cada oito minutos, em média), para "engolir ar" (respirar).
Embora pareça uma enguia, o peixe-elétrico poraquê é um peixe aparentado com a carpa e o bagre. Ao contrário destes, porém, ele captura suas presas utilizando descargas elétricas. As descargas elétricas ("choques") podem chegar à tensão elétrica de 1 500 volts, com uma corrente elétrica de até três ampères. Isso não significa que haja simultaneidade dos dois valores máximos. Além disso, o valor da corrente é determinado não apenas pela tensão (os volts) "aplicados", mas também pela resistência elétrica do receptor (presa aquática a capturar ou a afastar por ataque, ser humano em encontro eventual, fortuito com o Electrophorus etc.).
O poraquê é capaz de produzir descargas elétricas de magnitude (em tensão) variada, tensão a depender apenas do animal (conforme o tamanho) — arma que usa para se defender e caçar pequenos peixes, bem como para se defender de eventuais ameaças, predatórias ou não.
De certa maneira, o poraquê comporta-se como uma bateria elétrica. Seu polo negativo está localizado na parte da frente e o polo positivo na parte de trás do corpo do animal. O choque é mais forte quando ambos os polos tocam a vítima ao mesmo tempo.
O poraquê não é, porém, o único animal com essa propriedade. Há também a arraia-elétrica, encontrada nos mares tropicais. No Rio Nilo, existe uma espécie de bagre que também produz descargas elétricas.
Referências
↑ FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 1 366







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